O complexo obsessivo e a bipolaridade

Atualizado: 26 de Set de 2019

Muito tem se falado sobre a bipolaridade como um transtorno psíquico. Existem inúmeras matérias que mostram como os diagnósticos crescem constantemente em relação a sociedade. Porém uma maior compreensão quanto o tema se faz necessário, além da visão tradicional psiquiátrica. Se a bipolaridade para a psiquiatria é compreendida como uma transição entre euforia e depressão, isso nos faz questionar o que pode levar um sujeito a ficar preso nesses estados psíquicos? Esse artigo pretende compreender esses estados de fixações em relação ao complexo obsessivo.

Jung (1986) afirma que as ideias delirantes surgem dos conteúdos inconscientes que ultrapassam o limiar da consciência, e manifestam-se nas ideias, pensamentos ou ações do indivíduo. A partir desse texto, pode-se considerar que o complexo obsessivo é compreendido como um estado de paralisação ou fixação que o sujeito fica em relação a determinados pensamentos, ideações ou reações do indivíduo.

A fixação é uma espécie de paralisação psíquica, podendo ser voltado ao mundo exterior ou interior. Essa paralisação pode trazer mudanças na forma que o indivíduo enxerga a si mesmo e ao círculo social, trazendo uma gama de fantasias ou alucinações. Se considerarmos que as fantasias é um estado natural e está intimamente ligado ao mundo interno inconsciente, seria possível considerar que a fixação psíquica está intimamente relacionada a complexos psíquicos que trazem uma gama de ideias e pensamentos sobre o mundo?

Os complexos são de natureza inconsciente e não possuem as mesmas concepções racionais e temporais, dessa forma podemos considerar que eles possuem sua autonomia e liberdade na forma de olhar e perceber o mundo. Esses estados psíquicos possuem uma grande carga de energia, já que não estão no plano da consciência e permaneceram na inconsciência. A bipolaridade pode ser compreendida como um estado que necessita de energia de vida, tanto para a excitação (euforia) como para a depressão. Se os complexos possuem suas fontes de energia que tomam a consciência, também podem colaborar com a autoimagem do sujeito, podendo levar a uma distorção do mundo exterior e interior, induzindo o indivíduo para um estado de mania ou depressão, sintomas que fazem parte da natureza do transtorno bipolar. De maneira que é possível afirmar que as fixações psíquicas podem afetar diretamente na autoimagem, humor, pensamentos e ideias e as formas que esse indivíduo interage em seu meio social.

Mediante isso, percebemos aqui que as mudanças psíquicas que um conteúdo inconsciente traz pode levar a mudanças na percepção individual e coletiva que esse sujeito tem si mesmo e aos outros. A origem desses conteúdos são variados e se faz necessário um levantamento pessoal mais detalhado para cada sujeito, de maneira que se possa ressignificar esses complexos e os conteúdos inconscientes.

A bipolaridade, como um estado de transição entre mania e depressão, pode ser entendida como uma influência que o inconsciente tem para a consciência. Aqui percebe-se como o inconsciente possui uma grande quantidade de complexos que possuem um núcleo energético que pode tomar a consciência e mudar as formas que a consciência tem de perceber e reconhecer o mundo. Esses conteúdos inconscientes estão relacionados as nossas vivências e histórias pessoais e coletivas, todas trazem uma grande fonte de energia que podem perturbar a consciência.


Jung, C. G. (1986). Psicogênese das doenças mentais. Petrópolis: Vozes. v.III.





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