A relação da Psicologia e a Mística

Atualizado: 2 de Ago de 2019

Photo by Joel Filipe on Unsplash

Como psicólogos buscamos compreender a alma humana, trazendo esta para o campo da ciência. Porém, a ciência cartesiana não dá conta de compreender todos os processos pelos quais a alma humana perpassa.

Desse modo, estudamos a mística, que é o estado espiritual mais elevado que se pode alcançar com palavras. É o resultado último do processo de purificação que pode ser vivido. A psicologia aparece assim, como uma condição para a possibilidade da mística e precisa saber que existe a possibilidade de ultrapassar os limites da psicologia. Nesse sentido trago para a atenção os estudos de Teresa de Ávila que estão no livro de BOAVENTURE, 1996. Em seus textos, ela ultrapassou os limites da psicologia como ciência e adentrou em uma vivência propriamente mística.

Supostamente, quando se adentra o “mundo” da mística, não existe mais divisão, o mundo interno e o externo se tornam um só e o individuo fica “irmanado” de todo o universo.


Qual seria então o trabalho do psicólogo junguiano?

Em minha formação aprendi que o objetivo de TODA psicoterapia é o processo de individuação, mesmo que seja em mini relâmpagos de insight.

Neste processo se faz possível conhecer a si mesmo, sua verdade, de modo tornar-se um ser transparente.

Um ser individuado seria então aquele que não mais se projeta no mundo exterior e tem contato direto com a essência (indiferente do nome que se dá para este momento, encontro com Deus, Self, o centro da alma, etc.). A partir desse momento, ultrapassamos os limites da psicologia como ciência pois “chega-se” naquilo que é incognoscível. Aquilo que muitos já tentaram descrever, mas que só é reconhecido através da linguagem poética e ou religiosa.


A alma é uma entidade viva e por isso está sempre em transformação.


O psicólogo junguiano trabalha com o conceito de Self, que parece trazer o desígnio como o fator latente na personalidade com mais evidencia para uns que para outros... Sobre esse tema é legal dar uma olhada no livro Desenvolvimento da Personalidade do Jung.

Assim pode-se compreender que o psicólogo junguiano faz uso dos símbolos que são o último modo de representação para aquilo que é incognoscível se revelar. Lembrando que um símbolo revela a essência da pura matéria ao mesmo tempo em que a oculta, esse é o paradoxo.

Assim, “um símbolo revela sempre, qualquer que seja o contexto, a unidade fundamental de diversas regiões do real.” (BOAVENTURE, 1996, p.47 apud ELIADE, Images et Symboles, 1952, p.235). Esse real é a unidade fundamental que é a realidade da alma. Ou seja, o objetivo principal da psicoterapia junguiana é descobrir a realidade do centro, a realidade do que chamamos na teoria de Self.

Quando se consegue descobrir, experiencialmente, o que as imagens simbólicas representam, passamos então para uma experiência da psique como objetiva.


Sim, aquilo que antes era considerado subjetivo torna-se objetivo pois a maior de todas as verdades está ali. Isto é, a experiência do todo.


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